"A esperança franciscana ilumina nossa história" - Festejo em honra a São Francisco 2024, Anori-AM

 

essa foto retrata o texto que Este artigo mostra a importância de celebrarmos os padroeiros para a vida das comunidades e do seguimento a Jesus Cristo.

Celebrar os padroeiros de paróquias e comunidades fortalece a caminhada da Igreja e inspira muitas pessoas no seguimento de Jesus Cristo. Ao celebrar a festa de um padroeiro as comunidades se reúnem com veneração, louvores e agradecimentos a Deus por inspirar homens e mulheres que doaram suas vidas no serviço e testemunho do seu Reino. Neste espírito celebrativo a paróquia Imaculada Conceição em Anori, diocese de Coari-AM, celebrou o festejo em honra a São Francisco de Assis nos dias de 25 de setembro a 04 de outubro de 2024, com o tema central, A ESPERANÇA FRANCISCANA ILUMINA NOSSSA HISTÓRIA ”. Durante as nove noites de novenas e celebrações eucarísticas foi refletido um subtema iluminando cada noite do festejo. Aqui serão apresentadas as homilias da primeira, segunda, terceira, quinta, sétima, oitava, do encerramento e última noite do festejo. Nas homílias de cada noite o padre Raimundo Gordiano refletiu aprofundando os subtemas, na última noite e encerramento refletiu o tema central.

Você pode lê os textos rezados e refletidos na procissão de São  Francisco no final deste artigo ou clicando AQUI...



Na primeira noite o subtema iluminador foi,O AMOR VENCE O ÓDIO” , com essa iluminação padre Gordiano destacou que , o amor é a força maior do universo, é o dom maior de Deus em nossa vida. Movidos por sua inspiração alimentamos a esperança de que o ódio será vencido pelo amor, repetimos com São Francisco “onde houver ódio que eu leve o amor” e dizemos com nossas palavras “ onde houver ódio que eu seja amor”.

Forças contrárias ao amor: mentira e miséria; doenças e demônios; rejeição e intolerância;

Nosso mundo está marcado por muitas expressões de desamor e de ódio a começar pela falta de amor próprio. Com pouca autoestima, pouco amor para consigo, uma pessoa não se sente bem como as outras pessoas, porque interiormente lhe falta experienciar a força do próprio amor. As relações com as outras pessoas tornam-se sofridas, cheias de enganações, mentiras, traições, e, em muitas situações também há intolerância e rejeições. A falta de consciência e experiência do amor próprio faz o mundo e todo mundo parecer errado. São muitos os casos de conflitos pessoais e familiares decorrentes desse tipo de situação. Por não estar de bem consigo mesmo, outros em volta sofrerão as consequências. 

Esta deficiência de amor é vista nas estruturas do nosso mundo. Sistemas políticos e econômicos nas quais as feições humanas são reduzidas às simulação binárias, ao interesse pelo lucro e às exigências da Lei, quase sempre favoráveis ​​aos poderosos e em prejuízo do povo, sobretudo das pessoas mais humildes. Como a atenção maior é postada no lucro e nas estruturas de poder, os limites morais e da consciência são escanteados. Importa gerar cifras financeiras, mesmo queimando toda a floresta, mesmo matando toda a população, mesmo infectando milhões de pessoas com os vírus e acidentes mortais. Nesse cenário não se faz parceria com Deus. É o demônio o grande aliado.

O amor é maior: dom; inspiração; compromisso; caminho.

O projeto que nós cristãos conhecemos, é contrário a esse formato. Ele prevê as pessoas felizes, de bem consigo e com as demais. Não se trata de sentimento, sensação ou emoção passageira. Trata-se de um modo de vida no qual o amor é acolhido com dom , como semente que há de germinar e está brolhando no coração das pessoas e no seio do mundo. 

O amor é uma fonte de inspiração para um novo e renovado modo de vida no qual há o comprometimento em dá ao ser humano a primazia do respeito e do cuidado, com acolhida (sem coleta), com a compreensão sem intolerância, com partilha sem imposição e sem exploração.

O amor há de vencer: anúncio e vivência da Palavra e do Reino de Deus.

O amor vale mais, há de vencer o ódio, há de vencer o mal. Estamos ao caminho dessa meta cuja plenitude encontramos escrita na Bíblia, realizada no Mistério Pascal de Jesus e teremos de viver eternamente no Reino de Deus.

Nós cremos na força do amor. Acreditamos firmemente que chegará o tempo em que o amor vencerá o ódio. Não haverá mais nenhuma expressão de violência, de exclusão, de maldade, pois seremos todos envolvidos na experiência do amor.

A esperança move nossos corações. Ao contemplar o mundo com suas belezas nos alegramos, e com suas feiuras nos motivamos a buscar passos novos em direção a um mundo melhor; ao mundo do pleno amor, o que o Senhor nos mandou anunciar.

"onde houver ódio que eu seja amor”.




Na segunda noite o subtema a ser refletido foi:A FÉ ESCLARECE AS DÚVIDAS”, padre Gordiano ressaltou em sua homilia que a fé é a confiança e a certeza de que temos em algo que vai além da gente e já o possuímos na esperança. A fé cristã nos associa a Jesus Cristo, nos faz participantes de seu Reino e não obstante todas as incertezas humanas, nossas dúvidas são vencidas por nossa fé. A fé esclarece nossas dúvidas ou ao menos as ilumina e deixa fluir. Observando a Palavra de Deus traz algumas delas para pedir que a luz da fé assclareça. Será que a vida tem sentido? Por que dar atenção ao tempo se tudo acontecer de novo? Ainda há espaço pra Deus num mundo onde tantos já desejam matá-lo, eliminá-lo?

  1. Sentido da vida

Será mesmo que tudo é vaidade, tudo é passageiro? Há quem acredite que o sentido da vida não está aqui e agora, no hoje individual e da história. Afinal, ontem é lembrança e amanhã é projeto. Ontem já passou e amanhã ainda vai chegar.

A fé nos faz ver e sentir muito além do tempo presente. Faz enxergar o eterno e nos encaminha em sua direção. As coisas e experiências vividas, não findam sua importância segundo o tic tac do relógio. Há algo a mais que os olhos da face não conseguem ver. Somente a fé é capaz de fazer compreender, por isso não podemos nos apegar ao hoje, aos momentos, eles passam, mas o tempo segue seu curso com sentido valioso sobre nossa vida. A vida tem sentido, tem sabor de eternidade.

  1. O tempo

O tempo de Deus em nós e para nós vai muito além do relógio e do calendário. Ele é feito e nos concede a Graça divina. Não é o ser que consome tudo em sua volta, nem um elemento ao qual podemos desperdiçar. É uma sucessão de fatores que aparentemente retornam a cada dia, cada mês ou ano, todavia ainda que parece ser o mesmo tempo em sua volta nós já somos diferentes.

Valorize bem o ritmo de sua vida. Faça como o agricultor antenado aos sinais da natureza; não perca a força da lua, nem espere mais do que o momento para fazer seu serviço de plantio: preparar a terra, semear, cuidar, colher, comer e vender. Se não plantar não colhe, se não colher não terá a fonte de renda e de alimento

Como diz o poeta “a vida não se engane não, tem uma só; Duas mesmo que é bom ninguém vai me dizer que tem sem provar muito bem provado; Com certidão passada em cartório do céu e assinado abaixo - Deus, e com firma reconhecida”.

 A fé ilumina as razões de nossa vida. Pois ela está ancorada no mar eterno do amor de Deus.

  1. Deus está morto?

Ao longo da história humana houve várias teorias e ideologias tentando negar, abafar ou eliminar Deus. No texto do Evangelho que ouvimos, Herodes diz abertamente eu “mandei degolar João Batista, quem é este de quem ouço falar?”. Eliminar João foi seu modo de conter o Projeto que ele preparou. Outros afirmaram “Deus está morto…” a partir disso podemos dizer que o ser humano está completamente livre.

Cremos que Deus não é artigo de luxo o que podemos aceitar ou não. Ele está gravado em nosso DNA, por isso é uma necessidade da qual não conseguiu abrir mão, e quem assim o faz, põe em risco sua vida, retira dela o seu brilho e injeta nela marcas de destruição e sofrimento inúteis.

A fé ilumina e esclarece as dúvidas. Vale à pena viver, a vida tem sentido que passa pelo presente, pela beleza passageira e desagua no além, no infinito amor divino. Quando lhe bater as dúvidas lembre-se que elas também têm sua importância, mas é a luz da fé que nos ilumina e esclarece.



Na terceira noite o subtema que ajudou a rezar foi,ESPERA, ESPERANÇAR”, o padre Gordiano começou destacando a importância da Pastoral da Juventude que neste dia ajudou a celebrar e inspirar a partilha da Palavra de Deus. Mais do que nas outras noites, a esperança é nosso tema de destaque. A esperança franciscana ilumina nossa história. A qual esperança nos referimos? A resposta nos vem da oração de São Francisco “onde houver desespero que eu leve a esperança”.

Não falamos da espera acomodada por algo melhor que nos virá do céu ou de alguém. Falamos da esperança ativa; Aquela que mexe com a gente e não nos deixa quieto, nos desperta o desejo de superação por novos dias, novos modos de vida. Ao mesmo tempo nos arrastamos hoje para buscar algo mais, encontrado plenamente em Deus, contando com nossa participação.

Há muitas situações em nosso mundo, carente de recuperar a esperança. Várias nos atingem, e a Palavra de Deus nos apresenta algo muito bonito, dos quais escolhemos dois traços: o tempo oportuno; o que vem depois do fim.

  1. O tempo oportuno

Tempo oportuno:

. Tempo de Deus: esperar acontecer? Preparar-se e participar de sua construção

. Tempo do ser humano: acompanhado pela graça e presença divina.

  1. O que há depois do fim

. O tempo de Deus não encontra na exclusão, nem no sofrimento, nem na morte

. O tempo de Deus desagua e se realiza plenamente na vida, na ressurreição.

Mesmo que haja escuro eu canto, disse o poeta. Nada há de parar quem acredita no melhor da vida. Se ainda não nasceu, se ainda não foi possível colher o fruto, se ainda não se pode construir, ou mesmo se ainda não foi possível sentir a força do amor e da paz, não cruze os braços, erga a cabeça, acredite que o tempo oportuno, o melhor momento, está chegando Ele é resultado da livre iniciativa de Deus e da sua acessibilidade, da sua colhida. Faça sua parte, desenvolva o que lhe cabe e siga avante. É essa esperança que nos move e haveremos de chegar ao tempo e lugar da plenitude.



Na quinta noite teve como subtema iluminadorA LUZ DIVINA”, padre Gordiano elucidou que ao celebrar o tema da Esperança, estamos vendo como ela ilumina nossa vida e faz reluzir em nós as feições divinas. Com São Francisco rezamos hoje, onde há trevas que eu leve a luz, acrescendo ainda que eu seja luz. De fato, neste mundo obscuro por tantas fumaças, a luz divina tem em nós ao menos dois efeitos: mostra as trevas de nossa vida; mostra como vencê-las.

  1. As trevas

Há uma imensa nuvem escura pairando sobre o ar de nossas vidas. Se ela nos causasse pavor, certamente a maioria de nós, rapidamente iria buscar meios de vencê-la e superar o medo. Porém, seu efeito é nebuloso e paralisante e 'alienante'. Atinge a interioridade das pessoas. Nesse lugar muita gente não vai, por isso não percebe seus campos sombrios.

A Palavra de Deus ouvida nos mostra exemplos dessa escuridão. Destacamos três: a inveja (o ciúme); a ambição desmedida pelo dinheiro; os escândalos.

. Enquanto Moisés alegrou-se porque Deus repartiu seu espírito com toda a comunidade dos anciãos, alguém sentiu inveja (ciúme) dos dois que profetizaram fora da Tenda. Algo semelhante ocorre com os doze; por insegurança proíbe um homem de expulsar demônios porque não era o grupo oficial dos discípulos.

Por acaso Deus tem dono? É propriedade de alguém? Será que temos o direito de criticar as ações de Deus e de quem faz o bem em seu nome por falta de patente?

A Luz divina, nos faz perceber onde estão as Trevas:

. Estão silenciosamente presentes no olhar malicioso que vê, julga e condena quem errou (diferente de São Francisco que procurava ver Deus em tudo e todos); está embrenhada nas mãos que usurpa o direito dos mais frágeis retendo seu salário e enchendo a mão (as vezes manchadas de sangue) com dinheiro roubado; estão presente nos projetos e atitudes escandalosas que deturpam as mentes e corações assustando-as e levando-as a cometer os mesmos males. 

  1. Como vencê-las

Jesus nos oferece dicas de como enfrentar a escuridão e não deixar que ela atinja e domine os olhos, as mãos, os pés e o coração.

Ao invés de focar a visão na falha humana, buscar os sinais divinos, as expressões da bondade na vida das pessoas afinal, ninguém faz milagres e depois se põe a falar contra o Senhor; 

Ao invés de usar as mãos para excluir as pessoas ou para se apossar dos direitos alheios, praticar a acolhida e gestos de bondade (quem der ao menos um copo com água vai receber sua recompensa); 

  1. Conclusão

Onde houver trevas que eu leve a luz. Isto será mais possibilitado quando a luz do Senhor atingir as paredes internas da alma humana, preenchendo todos os recantos do ser com seu esplendor. Os olhos verão a luz divina, as mãos serão plenas de luminosidade, os pés caminharão na direção da vida. A pessoa será iluminada e iluminadora. Assim esperamos dizer, rezar e viver com São Francisco “onde houver trevas que eu seja luz”.




Com o subtema iluminadorDOAÇÃO DE SI”, aconteceu a sétima noite de novena em honra a São Francisco, o padre Gordiano ressaltou que a Esperança franciscana ilumina nossa história. Este é o tema que inspira nossa leitura e meditação da Palavra do Senhor nestas noites. Hoje, somos convocados à Doação de si, doação da vida, seguindo os passos de Jesus. Temos ao menos três etapas na direção dessa habilidade: a experiência do fundo do poço; o momento intermediário de quem sente a força do impulso; a resignação. Esperamos ser capazes de vencer nossos sofrimentos e nos compreendermos mutuamente. É para essa comunhão que caminhamos. 

  1. Jó em seu sofrimento (fundo do poço)

.Preso ao passado

Ouvindo o relato de Jó, ouvimos que ele está em seu grande momento de angústia. Tudo que ele ver é sofrimento. Não há motivos e motivações para sua felicidade. Então ele começa seu ritual de dor, amaldiçoando o dia em que nasceu. Preso ao passado, amaldiçoando o dia de seu nascimento, não há como se satisfazer no presente.

(.o presente lhe dói na alma)

O presente lhe dói na alma. Seu grande desejo é sair dessa angústia, mas ainda não há saída. Não há luz em seu horizonte. 

(.não quer a morte, mas a aceita pra aliviar a dor.)

Por isso Jó, mesmo sem querer a morte, a aceita para fugir da dor, do sofrimento. Afinal não há prazer, contentamento nessas experiências. 

Muitas pessoas em nossos dias já sentiram em si esta experiência de Jó. Nessas horas, o olhar se volta ao passado, não há alegria no presente e nem esperança no futuro. Ainda assim, há algo que vai muito além disso: a confiança inabalábel no Senhor. Não desista e nem confunda doar a vida e tirar a vida sua ou de outras pessoas.

  1. Os discípulos em seus impulsos

Na caminhada missionária de Jesus há situações contrárias ao que ocorreu com Jó. Uma delas ouvimos hoje. Ele vai em direção à Jerusalém e confia  a seus discípulos a tarefa de conseguirem acolhida e hospedagem na casa dos samaritanos.

. A empolgação e o merecimento

A empolgação deles se depara com a rejeição dos samaritanos. O impulso do momento lhes desperta a vontade de incendiar esse povo.

. a compreensão e a incompreensão

Jesus os convida a assumir outras atitudes, compreendendo o comportamento daquelas pessoas que não os aceitaram e seguindo outro caminho. Nem sempre as pessoas que agem diferente estão eticamente corretas, mas todas tem suas razões, suas motivações para agir. Não podemos aceitar os erros, mas devemos sempre amar as pessoas.

  1. Jesus fiel ao Pai (renúncia)

Fiel ao projeto do Pai, como Filho que em tudo lhe é obediente, Jesus não aceita o caminho da violência. Ele propõe outro caminho.

. Seguir outro caminho

Afinal de contas, quem o segue não pode enveredar pelo caminho da morte. Ele é o caminho, a verdade e a vida, e vem nos dá vida plenamente. Por isso nos chama a assumir como discípulos 

+a compreensão

+o respeito

+a fidelidade em comunhão com o projeto de Deus.

Podemos alimentar a esperança em nossos corações de que haverá de chegar o tempo em que a intolerância, o instinto mal, a fraqueza não será a força propulsora para a morte entre irmãos, para assassinatos e matanças entre grupos e nem guerra entre nações. Para isso é preciso aprender a ganhar perdendo, a sorrir chorando, a amar mesmo sendo odiado.

  1. Conclusão

É doando que se recebe, é perdoando que se acolhe e se sente o perdão, é morrendo um pouco pra seus instintos egoístas que se alcança a força infinita da paz e da vida verdadeiramente feliz. Que o Senhor alimente em nós esse desejo e realize essa nossa esperança.


Na oitava noite com o subtemaA FORÇA DA UNIÃO”, padre Gordiano expressava que nosso peregrinar na esperança não o fazemos sozinho, individualmente, mas o vivenciamos comunitariamente, afinal de contas, ninguém se salva sozinho, pois a salvação é a morada eterna na Comunhão divina. Seguimos juntos unidos uns aos outros, a quem vemos ao nosso lado e aos que nos acompanham espiritualmente.

O Papa Francisco reafirma que a unidade vale mais que a divisão. A sabedoria popular diz “povo unido jamais será vencido”. E nós rezamos hoje “onde houver discórdia que eu leve a união”.

É bom entender que nem sempre o fato de estarmos reunidos significa que estamos unidos. A reunião é de corpo físico ou virtual, a união é de alma, mente, coração em torno de projetos e objetivos comuns. Neste sentido estamos precisando de UNIÃO. A Palavra de Deus nos oferece contemplar dois elementos importantes no despertar e na vivência de nossa união: a figura dos anjos (dia dos santos anjos da guarda); o ser pequeno/criança.

  1. A figura dos anjos

Na Bíblia e na vida os anjos são seres enviados por Deus como portadores de uma mensagem a ser entregue à pessoa escolhida. Foi assim com Nossa Senhora e tantos outros que conhecemos. É assim também na vida da gente. Descobrimos pessoas que nos ajudam às vezes apenas com palavras e inspirações. Os anjos também têm a missão especial de oferecer proteção aos seus, de nos ajudar, guiando-nos pelos caminhos corretos e de nos tornar parceiros do Senhor. Isto é, o anjo não realizará por nós o que nos cabe fazer e o que fazemos não pode ser feito sob o impulso do mal. Ó anjo de Deus nos livra do mal e nos ajuda a não cair em tentação.

Unidos a nós, nosso anjo da guarda é nosso guia, protetor e parceiro na Obra divina que nos é confiada: a vida humana e a missão salvadora.

  1. A força dos pequenos

Lembre-se mais uma vez, “a vida entregue a você continua sendo de Deus”. Ela não será bem realizada, bem vivida sozinha. É somente em união com outras pessoas que você conseguirá seguir melhor e mais longe. Por isso, a partir do que Jesus nos ensinou, grave bem em seu coração: a sua grandeza está em você e não nas coisas que você possui; e se quiser valorizar ainda mais sua grandeza aprenda a ser pequeno, humilde por opção e não por necessidade ou escassez de recurso.

A Sua e nossa grandeza e riqueza verdadeiramente está associada a Jesus. Ele é o maior nos Reino dos Céus, é o Filho do Pai que na sua infinita retenção tornou-se um de nós, foi criança, viveu pobre entre os pobres para nos enriquecer.

Seu amor nos une e nos torna forte diante das forças que querem nos desintegrar. Ele confia em nós e nos convida a viver um Projeto Comum “O Projeto do Reino de Deus”.

Conclusão

Viver em união com as outras pessoas torna a vida mais leve. Todos ganham porque buscam o melhor para o bem de todos. Isso exige confiança em Deus e nos seus envios; exige fidelidade ao Senhor e exige humildade para se acolher, respeitar e conviver bem com todos. Unidos a nossos anjos e a nossos irmãos e irmãs seguimos a direção do Reino de Deus o que vamos construir e para o que vamos caminhar.

( Onde houver discórdia, sejamos união)



Na celebração de encerramento e última noite do festejo, padre Gordiano refletiu a luz do tema central do festejo,A ESPERANÇA FRANCISCANA ILUMINA NOSSSA HISTÓRIA”, e expressou que t oda a trajetória de São Francisco ainda hoje é fonte de inspiração para todas as pessoas que desejam viver felizes, de bem consigo, com seus semelhantes e com Deus. Quem vive essa busca aprende com nosso santo que é preciso amar e respeitar nossa Casa Comum, a mãe e irmã terra.

Temos esperança, somos gente de esperança e por isso ao longo daquelas noites quem viu, foi assumindo compromissos para sua vida muito sérios, maravilhosos e desafios. Destacamos três deles, enriquecidos com a Palavra de Deus hoje proclamada: o transformar-se; deixe Deus ser Deus; ouvir, acolher.

  1. Transformar-se

Somos todos sobreviventes, passageiros, peregrinos. Estamos vivos, não porque somos melhores que todos que morreram na pandemia, mas porque Deus conta conosco pra renovar sua obra. Ele não se encheu de ira contra nós. Nos mostrou a necessidade urgente de nos transformar naquilo que acreditamos e rezamos.

Onde houver ódio que eu seja amor; onde houver ofensa que eu seja perdão; onde houver discórdia que eu seja união; onde houver dúvida que eu viva a fé; onde houver mentira que eu seja verdade; onde houver desespero que eu seja esperança; onde houver trevas que eu seja luz. 

Não mais pedimos que Deus nos dê esses dons, pedimos sim que Ele nos transforme nesses dons que almejamos. O mundo precisa de tudo e Deus conta conosco como contou com São Francisco ao intimá-lo dizendo “Francisco, reconstrói a minha Igreja”. Ele diz a você, a mim, a todos nós “vai reconstrói minha Igreja, minha criação”. E essa construção inicia pelo lado de dentro da alma de cada um.

  1. Deixar Deus ser Deus

É vontade de Deus que cada um se torne amor, união, perdão, fé, esperança, luz. Não é culpa de Deus que haja tantas guerras, tanta violência, tantas pessoas no crime, desde crianças arrastadas ao mundo da morte pelas drogas, exploração sexual e assassinatos. Como fez Jó no alto de seu sofrimento, recusemos a pretensão de culpar Deus, deixemos Ele ser Deus no mundo lá fora e aqui dentro da gente.

  1. Ouvir, aprender

É querer de Deus que vivamos inteiramente feliz. Por isso Ele não aceita nossos erros. Por isso recai sobre nós as consequências de nossos atos. A morte da floresta leva embora a qualidade do ar, as águas aéreas que formam chuvas; a imensidão de lixo jogado nos rios, os tóxicos jogados na terra, as fumaças lançadas no ar, está voltando pra nós com juros e correções. Estamos perecendo, estamos morrendo aos poucos, derretendo no calor e reduzindo cada vez mais a água e o alimento.

Parafraseando o evangelho, eis o que nos diz o Senhor “eu lhe dei o maior volume de água e de floresta do mundo, uma quantidade de milhões de espécies de árvores, frutas, peixes… e você não soube cuidar”. Quem escuta e acolhe os enviados do Senhor, escuta e acolhe o próprio Deus.

Conclusão

Mesmo com todos os sinais perigosos que nos rondam, mesmo com todo o risco de extinção, cremos e alimentamos nossa esperança para além de qualquer medo, insegurança e pavor. Nos resta OUVIR/ESCUTAR/ACOLHER e COMUNICAR o Senhor. Nossa esperança no bem do mundo é grande, nossa esperança na eternidade é absoluta. 

Então, transforme-se, Deixe Deus ser Deus na sua vida, escute, acolha e viva o que Ele vos diz. O mundo não está bem, mas Deus o habita e confia na gente. Como Francisco, vamos ajudar a reconstruir a casa de Deus.



Você pode lê os textos reflexivos da procissão do festejo de São Francisco 2024 clicando AQUI...


Autoria do texto:  Pe. Raimundo Gordiano

Pegadas do Reino

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