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| Imagem gerada no Copilot |
Estamos neste tempo especial de oração, de introspecção e preparação para a novidade pascal. É para a Páscoa litúrgica que nos preparamos ao mesmo tempo em que sonhamos com a páscoa existencial, aquela experiência exultante e transbordante de felicidade que nos dá o gosto da plenitude, enquanto seguimos para a Páscoa definitiva na glória eterna.
Essa caminhada tem tudo a ver com o assunto da liturgia deste domingo no qual celebramos o Domingo das Tentações. Frente a frente se colocam duas possibilidades para nós peregrinos da páscoa: a pressa e/ou o processo. Se quisermos alcançar a páscoa repentinamente, podemos atingir alguns lampejos, faíscas, mas na verdade seremos enganados pela luminosidade incandescente da luz da tela que nos atrai para olhar ao invés da luz da vela que nos chama a rezar. Essa é uma tentativa de pressa na qual caímos com frequência.
Se tivermos paciência, resiliência, perseverança, mais que resultados externos, vamos nos tornar seres pascais. A Páscoa vai acontecer na vida das pessoas como um processo que afeta a mente, o corpo, a alma, a inteligência, o afeto, as relações sociais, econômicas, culturais e cotidianas. É o processo Pascal que começou com Jesus no qual entramos desde o nosso batismo.
Jesus foi tentado a ter pressa
No encontro com Jesus no deserto, o tentador propôs resultados imediatos: satisfazer instantaneamente a fome usando seu poder para transformar pedra em pão; para dominar o mundo submetendo-se ao seu poder; para dominar a religião com o espetáculo espiritual. Jesus fez tudo ao contrário do que disse o tentador e sua proposta apressada.
Jesus inaugurou um processo
Ó Senhor não tem pressa. Ele era no tempo de Deus, que é bem diferente do nosso. Se preparou por 30 anos, fez retiro de 40 dias e vai trabalhar chamando e tocando pessoas para adentrar no seu Reino. Jesus inaugurou um evento que se tornou uma grande rede, uma grande cadeia de vidas. Começou na Galiléia e hoje está presente no mundo inteiro. E quem aceita participar, disponha-se pois Ele é o Caminho.
Como seria este mundo se o Filho de Deus cedesse e acolhesse as tentações do Maligno? Jesus não aceitou, e, do contrário, vemos como este mundo está permeado pela pressa que reduz tudo à satisfação, ao acúmulo e ao domínio, colocando em perigo toda a obra criada por Deus.
. A busca pelo imediato pode levar a pessoa a tornar-se refém de seus desejos e instintos. Individualmente pode adoecer pelo excesso de comida, talvez corra risco de se tornar dependente químico ou mendigo de afetos por sua incapacidade de dizer não a si mesmo e suas vontades egoístas.
. A busca pelo mais rápido dificulta o diálogo, atiça a agressão, desperta ansiedades e síndromes diversas e ao mesmo tempo, envolve povos e nações diversas nas guerras intermináveis. Pensamos que o uso das armas é o meio mais curto para resolver conflitos. Na verdade é o modo mais letal, mais destruidor. Mais instantâneo para a morte.
. A tentativa da pressa leva as pessoas a poluir, queimar, desmatar, descartar resíduos, animais e pessoas frágeis. Afinal, dá muito trabalho separar resto de comida, plásticos, papel, vidro.
. E ainda lembramos que essa tentativa do imediato é muito perigosa para a prática religiosa. Muita gente saiu em busca de religiões ou igrejas que lhe ajudaram imediatamente. A cada vez que diminui a emoção, troca de congregação.
Irmãos e irmãs, de tudo que a Palavra de Deus nos indica de modo concreto destacamos o seguinte:
. Somos descendentes de um arameu errante, que pudemos caminhar e aprender a respeitar o processo do tempo de Deus.
. Deixe-nos moldar pela Palavra. Ela está em nossa boca e em nosso coração. Se a acolhermos no coração, ela nos conduzirá pelas sensações da vida e não nos deixará cair nas seduções do tentador.
Caminhamos como peregrinos em direção à páscoa tornando-nos seres pascais. Sem pressa, mas no tempo do amor de Deus.
Beruri, 9 de março de 2025
Pe. Raimundo Carvalho Gordiano
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