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| Imagem gerada no Coplot |
Nossa caminhada para a Páscoa tem mais um passo avante no aprofundamento dessa experiência de preparação para a alegria da ressurreição. A Palavra de Deus nos é apresentada hoje em formato de história. Então vamos de história.
Uma professora perguntou aos alunos o que tem na casa de vocês? De um por um foram respondendo e de um jeito ou de outro disseram "lá em casa tem tudo". E vocês aqui reunidos, que dizeis? Na vossa casa tem tudo, tem quase tudo ou quase nada?
Na verdade a pergunta é mais ampla. Tem a ver com a vida. Como vai a sua vida? Tem tudo, quase tudo ou quase nada?
Destacando a parábola do Pai Misericordioso e Compassivo, junto de seus dois filhos, temos um excelente quadro referencial para nosso caminho quaresmal. Eis alguns pontos:
- A referência
Nessa Parábola, os dois filhos, as outras personagens da casa, como os empregados, tem a grande referência na pessoa do Pai. Ele não é patrão, nem chefe, não age como dominador. Ele tem suas expressivas marcas de 'paternidade maternal'.
Nessa casa tem pão com fartura, tem um clima saudável, não falta nada. Nem mesmo a liberdade. O respeito pela iniciativa e pela vontade de assumir a própria vida, também é respeitada pelo Pai.
Um dia essa referência moral, espiritual, familiar é tocada. O filho mais novo, cheio de vontade, talvez com muitos sonhos, pede sua parte na herança e vai pra onde ele mesmo pode se "governar". Ele se torna o senhor de sua vida. Ali, distante de casa, a referência dele, é ele mesmo.
- A arriscada liberdade
Quando dizemos REFERÊNCIA, estamos falando de balizas, de setas que organizam os limites do espaço-tempo. Como placas de sinalização na estrada, indicam os riscos e possibilidades para o motorista trafegar com segurança. Parecem imposição de limites. Quem não as aceita, ultrapassa em alta velocidade, avança o sinal fechado, e põe em risco sua própria vida e das demais pessoas. Sem limites, sem as balizas, ou melhor, sem as referências o ser humano torna-se refém de si mesmo; de seus desejos, impulsos, instintos. Foi essa liberdade que o filho mais novo experimentou.
Ela simplesmente o alienou. O levou por caminhos de escassez: acabou os bens; acabou o dinheiro; acabou a alegria de viver; acabou a comida; onde havia abundância, nunca deixou de ter, mas distante do lar, ele sente a escassez. Todavia, ainda tinha uma luz. A esperança não decepciona. E o moço ensaia o caminho de volta.
- O caminho de volta
O caminho da volta também inicia no coração. Há quatro passos: a lembrança da abundância de tudo na casa do Pai; o reconhecimento do desvio; a necessidade do retorno e, por parte do Pai, a possibilidade da aceitação.
Hei! Olhe pra você. Pergunte se você está na companhia do Pai. Se está comungando de seus ideais. Afinal de contas, ninguém vai querer voltar se achar que nunca saiu, não vai pedir perdão se pensa que nunca errou, e, note bem, não vai se 'apequenar' se nunca cresceu.
O filho mais novo, aventureiro, peregrino, empoeirado volta para sua fonte de aconchego ciente que seu coração palpita de saudade do lar, mesmo sentindo sua indigna condição, sabe que "lá na casa do Pai" tem um ponto seguro. A paixão, sofrimento vivido pelo jovem longe de casa associa-se à paixão saudade vivida pelo Pai em sua ausência. Os dois embora distante estão unidos na mesma sintonia. Um sente a falta do outro. O Pai sente a falta do filho, o filho sente falta da abundância de vida e da abundante vida do Pai.
Por outro lado, o filho mais velho não comunga dessa mesma sintonia. Embora tenha permanecido junto do Pai, não consegue deixar-se afetar pelo amor do pai e do filho mais novo. O Pai acolhe seu filho aventureiro com paixão, o filho mais velho se apresenta sem a mesma paixão. O amor do Pai salva os dois.
Na casa do Pai tem tudo. E se algo vier a faltar, a abundância de amor haverá de saciar.
Conclusão
Faça o exercício do retorno. Reconheça que você tem tudo, porque o amor do Pai é tudo que precisamos. Algumas vezes vamos longe dele e retornamos. Na volta, temos dificuldade de acolher a quem esteve ou está longe como estivemos. O Pai nos ama de paixão, com paixão e nos torna criaturas novas, renovadas em seu amor.
Beruri, 30 de março de 2025
Pe. Raimunodo Caarvalho Gordiano
