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| Imagem: Free Pik |
Caros irmãos e irmãs, estamos vivenciando o tempo quaresmal, um tempo que somos chamados a conversão por meio de uma mudança de vida, não que os outros tempos não sejam para a nossa conversão, no entanto, esse em especial nos permite uma maior atenção. A liturgia da Palavra durante esse tempo tem nos ajudado a refletir e melhor pensar como devemos viver a partir do projeto de Deus em nossas vidas, neste dia de hoje a Liturgia nos traz como destaque a Lei de Deus instaurada por meio de Moisés, e Jesus como nova Lei, Ele não veio para abolir, mas para dar pleno cumprimento. Gostaria de fazer uma pequena memória para melhor nos situarmos onde estamos na história da humanidade, e qual deve ser o nosso papel, por isso recordo aqui a narrativa do Gênesis.
É sempre bom recordarmos a história da criação, ela nos ajuda a entender onde estamos e nos situa na história, percebendo assim o nosso papel. No livro do Gênesis Deus cria o ser humano a sua imagem e semelhança, e Deus a cria para a vida feliz, por isso o coloca no Jardim do Éden, lugar de tranquilidade e felicidade, não nos criou para a maldade e infelicidade, mas para o bem, para viver feliz e em harmonia com o seu criador, no entanto o pecado entra na história da humanidade, o ser humano ao desejar ser como Deus instigado pela tentação, quebra a Aliança da criação, e por isso se afasta de Deus, não é Deus que tira o ser humano do paraíso, é o ser humano que por querer ser igual a Deus acaba rompendo a Aliança.
Mesmo diante da infidelidade humana na pessoa de nossos primeiros pais, Deus não desiste do ser humano porque o ama incondicionalmente, Ele vai continuar buscando trazê-los novamente para junto do seu convívio, ele faz isso por meio dos profetas e das Alianças que estabelece ao longo da história da salvação. É por meio dos profetas que Deus fala a seu povo pedindo que ouçam a sua voz, que mudem suas práticas para que sua graça chegue até eles que são o seu povo, mas há sempre uma tendência de a humanidade buscar fazer suas próprias vontades e realizar seus próprios desejos.
Mas Deus não leva em consideração a infidelidade do povo, e quando esses clamam ao Senhor, Deus ver o seu sofrimento e os escuta, por isso aparece a Moisés do meio da Sarça ardente e o envia para resgatar seu povo do cativeiro, da escravidão. Mas o caminho é longo e o sentido e a gratidão do resgate acaba se perdendo, é preciso estabelecer Leis, é preciso que não se perca de vista os valores que Deus exige ao seu povo para que permaneça na fidelidade. É o que ouvimos na primeira leitura, Moisés fala ao povo que ouçam as leis e os decretos que ele os ensina a viver para que assim entre na posse da terra prometida que o Senhor Deus de vossos pais deve vos dar. Moisés diz que ele ensinou leis e decretos conforme o Senhor Deus lhe ordenou.
No Evangelho vê-se a Palavra encarnada que é o próprio Jesus como aquele que não vem para abolir a Lei e os profetas, mas para dar pleno cumprimento, ele nos convida a uma conversão por meio de nossa mudança de vida, é n’Ele que se estabelece a nova Aliança que foi quebrada no princípio da criação, é Ele que restaura a humanidade decaída no pecado, Jesus é a nova Lei, pois é nele que se pode cumprir toda a vontade do Pai. Sua entrega na cruz vai ser a radical manifestação da fidelidade ao projeto do Pai, demonstra seu amor e o amor de Deus pela humanidade, um Deus que ama incondicionalmente a humanidade e esse amor deve nos tocar criando em nós uma relação de amor com aqu’Ele que tanto nos amou que se entregou com total liberdade para que todo aquele que n’Ele crer não pereça, mas tenha a vida em abundância.
Mas uma vez reitero que é importante refletir desde o início da história da humanidade, não para compreendermos os mistérios de Deus, pois este não cabe em nossa compreensão, mas para perceber o quanto Deus nos ama, e que nunca desistiu de nós mesmo quando erramos e nos afastamos dele por nossas infidelidades, por querer fazer as nossas próprias vontades e desejos. Por isso, esse amor de Deus deve nos tocar de maneira que desperte em nós o desejo de vivermos uma vida onde sejamos capazes de amar e perdoar, mesmo diante de um mundo de tantas violências e guerras, onde somos quase educados a viver fechados em nós mesmos e em nosso egoísmo. O amor de Deus não permite que sejamos indiferentes com realidades de injustiças e opressão. Precisamos olhar as realidades sempre a partir do olhar de Jesus, nos perguntando qual seria o olhar de Jesus para tal realidade, com toda certeza seremos menos juízes e mais compassivos.
Sebastião Caldas -Na reflexão da Liturgia da palavra do dia 26 de março de 2025, (Dt 4,1.5-9; Sl 147; Mt 5,17-19)
