PAIXÃO DIVINA

Essa imagemretrata o texo que coloca as diversa paixões do ser humano, apresnta a paixão de Deus na peessoa de Jesus, e ainda que a exemplo de Jesus as nossas paixões por Deus passa pela cruz
Foto de Macrovetor 

Vivemos um tempo de ebulição emocional. Ou dito de outro modo, vivemos um tempo de explosivas paixões. Paixões positivas que de tão exageradas tornam-se nocivas, doentias fomentando episódios de possessividade e violência entre os casais, e, paixões destruidoras as quais tendem facilmente ao mal.

Essa força tão intensa que atinge o ser humano, ou melhor, que explode em seu interior está relacionado às situações que nos afetam. Paixão não é um mero sentimento. É uma experiência que nos afeta com grande potência. Neste encerramento da Quaresma é isso que celebramos, e durante toda a Semana vamos contemplar A PAIXÃO AVASSALADORA DE DEUS. Deus é apaixonado. Ele fez e faz de tudo para demonstrar e nos envolver nessa Paixão. Perguntamos "Deus é apaixonado por quem?". Bata no seu peito e diga "Deus é apaixonado por mim" (deixar que todos repitam). É verdade que Deus me ama e nos ama com paixão e de paixão. Mas essa certeza carece de aprofundamento. A Campanha da Fraternidade deste ano lançou luzes sobre esta verdade. Deus é apaixonado....

1. Pela sua obra

Deus é apaixonado por todos os seres que Ele criou. Tudo nasce da interioridade de seu amor. Quando dizemos que Deus cria do nada, queremos afirmar que Ele cria a partir de dentro de sua essência que é amor, sem necessitar de algo antecedente. Todo ser criado em amor é amor, é sujeito da mesma paixão. Ele "viu que tudo era muito bom".

2. Pelo ser humano

Dentre todos os seres criados, Deus olha com especial afeição para o ser humano, a quem Ele confiou maior responsabilidade. A este ser foi concedida a tarefa consciente de ser SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, e, de cuidar/ zelar a criação com o Dom de crescer e multiplicar.

A história de nossa fé confirma essa graça. O Filho de Deus se encarnou, tornou-se um de nós, deixou-se afetar por nossas condições. Foi levado ao suplício da Cruz, sem deixar de nos amar. A paixão de Deus pelo ser humano em Jesus nos mostra:

. A plenitude do amor divino por nós;

. Como podemos participar, realizar e demonstrar-nos esse amor apaixonante.

Jesus se deixa entregar e mesmo diante do sofrimento continua amando. Antes da Prisão ora confiante, na hora da prisão cura o homem da orelha cortada, durante o processo lança olhar misericordioso a Pedro, e quase na hora da morte perdoa os pecados de seus algozes.

Todo esse processo é precedido por longos anos e pela última semana de sua vida, quando Ele entra em Jerusalém como um simples homem do povo reconhecido pelas multidões como Messias-Rei popular, que veio para Salvar a todos começando pelos pequeninos.

3. Pelos pequeninos

Como uma mãe que ama a todos os seus filhos e manifesta maior atenção a quem mais precisa de cuidado, assim faz Jesus, revelando a face misericordiosa do Pai com maior densidade aos pequeninos: às crianças, às mulheres, aos leprosos, aos cegos, às pessoas com deficiência; às pessoas rejeitadas pela sociedade e até mesmo pela religião.

Conclusões

A paixão de Deus celebrada especialmente ao longo desta semana tem consequências maravilhosas para nós;

B- Desde os sinais, bênçãos, milagres até os grandes desafios e instrumentos que ele apresentou para o crescimento e a realização humana: a pobreza de espírito; a atitude prática do serviço; o exercício permanente do perdão; o esvaziamento das imagens e estigmas do poder; a doação de si mesmo em vida pela misericórdia, compaixão, caridade. 

O grande instrumento pelo qual podemos saborear em nossa vida a Paixão de Deus está contindo na Cruz e seus efeitos na vida de quem a assume como caminho de construção de sua vida.

A CRUZ

Note bem no seu coração, não há paixão verdadeira feita somente de prazer. A paixão de Deus por nós realiza essa verdade de modo absoluto. Deus nos ama até as últimas consequências e nos salva do poder do mal, do pecado e da morte.

A CRUZ é caminho, é portal, é instrumento de realização humana e divina. Aceitá-la não é amar ou buscar o sofrimento- é aceitar e enfrentar a dor, o risco, o medo por uma causa maior.

Aceitar a Cruz é também se colocar a serviço de seus semelhantes e de todas as formas de vida. Desapegado de todas as facetas do vício, da dominação e do poder. A Cruz não se impõe, ela atrai. A Cruz de Jesus é também nossa. 

Acolhamos essa expressão sublime da paixão avassaladora de Deus por nós e por toda a criação.



Beruri, 13 de abril de 2025

Pe. Raimundo Carvalho Gordiano

Pegadas do Reino

Pegadas do Reino aprofunda a vida cristã através de reflexões que conectam teologia, filosofia, ecologia e o nosso dia a dia. Entregamos conteúdos pautados pelo rigor, respeito e responsabilidade, buscando enriquecer sua experiência de leitura.

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