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| Imagem : Pinterest |
Autor: Sebastião Caldas
Uma caminhada de volta para casa é a experiência que fazem os discípulos de Emaús (Lc 24,13). Essa experiência é marcada pela dor, pela desilusão, pela desesperança, pela compreensão da não realização de um projeto que era tão esperado, não só por esses dois discípulos, mas por toda a comunidade dos apóstolos e discípulos de Jesus (Lc 24,21-24). Mas algo interessante acontece nessa volta desesperançada: Jesus aparece e caminha com eles, retoma as Escrituras e ressalta o que a Escritura fala sobre o Messias, de tudo que Ele deveria passar para poder entrar na Sua glória (Lc 24,25-27).
Os discípulos com os corações ardendo (Lc 24,32), sem compreender e sem enxergar a presença de Jesus, caminharam com Ele até reconhecê-lo ao partir do pão (Lc 24,30). É um itinerário marcante pois ao caminharem com Jesus os discípulos de Emaús o consideraram um gesto tão comum do cotidiano que era o partir do pão. E desse momento em diante o medo e a desilusão vão e dão lugar à coragem e à esperança.
Imaginemos quão grande era a esperança dos discípulos, dos apóstolos, de todo aquele povo que viam em Jesus a esperança de novos tempos, a esperança da libertação de um povo oprimido, de um povo machucado, de um povo dilacerado pelo pecado, pela dor, por tudo aquilo que os afligia e causava sofrimentos.
No entanto, a esperança dos discípulos parecia estar diante de um projeto que teria falhado, pois eles estão imersos na incapacidade de ver a verdade da Ressurreição (Lc 24,21), não conseguem compreender o projeto de Deus, sua compreensão humana é limitada.
Mas Jesus ao caminhar com os discípulos de Emaús abre os seus olhos ao partir do Pão (Lc 24,30), o medo de dar lugar a coragem, a escuridão da noite não os amedronta mais, o medo daqueles que mataram Jesus dar lugar à força do testemunho de que Jesus está vivo, de que eles são testemunhas oculares e precisam levar a boa notícia para os onze que se resgataram em Jerusalém escondidos e com medo.
Esse testemunho chega às onze, e só vai crescendo cada vez mais. Na primeira leitura de hoje no livro dos Atos dos Apóstolos é narrado para nós o grande testemunho de Pedro, ele já compreendeu e tomou consciência do verdadeiro projeto de Deus na pessoa de Jesus. Tomado pelo Espírito Santo de Deus, Pedro vai anunciar sem medo. Não são mais aqueles discípulos que estavam escondidos, amedrontados e desesperançados. Agora os discípulos estão cheios de fé, de esperança, da certeza de que Deus ressuscitou a Jesus Cristo.
Diante do grande evento da morte e ressurreição de Jesus Cristo, o nosso testemunho de vida é muito importante, por isso o autor da segunda leitura nos chama a viver segundo a vontade de Deus, como ressalta o autor: “Sabeis que fostes resgatados da vida fútil herdado de seus pais, não por meio de coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha nem defeito” (1Pd 1,18-19). Esse resgate nos impele a viver segundo a vontade de Deus.
A salvação que recebeu de Jesus por sua vida doada por amor, nos coloca também numa posição de liberdade para viver segundo o projeto de Deus em nossa vida, segundo aquilo que Jesus na sua vida nos ensinou com palavras e com seu modo de viver. precisamos viver como práticas de Jesus. Como diz uma linda canção de Padre Zezinho: “Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu, sentir o que Jesus sentindo, sorrir como Jesus sorrir, e ao chegar ao fim do dia eu sei que eu dormiria muito mais feliz.”
BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém : nova edição, revista e ampliada. 18. reimpr. São Paulo: Paulus, 2002.
