Homilia do VII Domingo do Tempo Comum, Ano C - DO NATURAL AO ESPIRITUAL

 

Essa foto retrata a homilia do VII domingo do tempo comum, ano C, do natural ao espiritual, onde Jesus chama atenção que acolhemos amar os nossos inimigos e rezar aqueles que nos perseguem
Imagem gerada no Copilot

A vida cristã não nega a natureza humana da pessoa, por isso tende a progredir do estado puramente natural ao nível espiritual. A segunda leitura diz que o primeiro Adão era um homem natural, o segundo Adão (Jesus) é espiritual. A primeira leitura narra uma situação em que o protagonista tem a chance de escolher entre o instinto natural da defesa e a consciência que a fé lhe imprime. No evangelho o convite de Jesus a todos nós é que nos deixemos elevar espiritualmente expressando em atitudes bem concretas os passos que vamos dar no seguimento a ele. Em resumo, eis o convite que podemos sentir dessa Palavra de Deus "passar do puramente natural, ao espiritual". Vejamos alguns tópicos detalhados.

1. A regra de ouro

Esse conceito chamado a regra de ouro é apresentado nas grandes religiões e trata-se de um princípio ético e moral muito valioso. Ele ajuda a promover a empatia, a ajuda mútua entre as pessoas, na medida justa das coisas e no respeito entre todos. É o que disse Jesus “fazei aos outros o que querem que eles façam a vocês”.

Se você ficar apenas reclamando das pessoas pelas coisas e atitudes que não lhes dão, vai continuar sofrendo sem avançar, sem mudar nada. E a mudança pra melhor começa dentro de você e se torna real, visível, concreta quando você sai do seu lugar e vai ao encontro da outra pessoa para realizar o bem que você mesmo anseia. A primeira pessoa a ser beneficiada, a se sentir contente é você que conseguiu tomar a iniciativa, superou os obstáculos interiores e deu o passo; talvez 'deu o braço a torcer', venceu o medo, superou o orgulho, dominou a mágoa ou a raiva e manifestou amor.

2. A regra dos três pontos

Há uma prática comum entre alguns estudantes e entre alguns estudiosos que pode ser chamada de uma regra dos três pontos. No evangelho de hoje, encontramos algo parecido. Depois da introdução 'a vós que me escutais' e do mandamento 'amai os seus inimigos',

há três partes detalhando isso de modo bem prático:

. No sentido da ação: fazei o bem (aos inimigos), bendizei (os que vos amaldiçoam), rezai (pelos que vos caluniam).

. No sentido da ação sofrida: não revidar a agressão sofrida, não reagir ao 'assalto', dá a quem pedir sem esperar devolução.

. No sentido da dúvida: amar só quem me ama? Fazer o bem a quem me faz o bem? Emprestar a quem promete pagar?

Esses três pontos preparam-se para o próximo passo. O passo mais avançado na vivência da fé “sede misericordioso como Deus Pai é misericordioso”.

Não se trata mais de ter você mesmo como referência. Não é somente 'fazer aos outros o bem que se espera receber', mas, ser bom porque já recebestes o bem, ser amor porque já recebestes amor, dar o coração ao miserável (ser misericordioso) porque Deus já lhe concedeu misericórdia.

3. Nunca pare de querer crescer

Levando em conta esses ensinamentos e praticando-os, estão dados os passos para o crescimento da pessoa em direção à atualização espiritual, deixando de ser puramente natural e assumindo as feições de Deus Pai refletidas e assumidas em Jesus.

Assim o Pai terá de se alegrar com sua pessoa e a vida terá de agradecer, pois a medida usada para os outros será a mesma usada para você.

 

Pe. Raimundo Carvalho Gordiano

23 de fevereiro de 2025


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